Final Fantasy - O Compilado
Faz um bom tempo que não escrevo algo aqui.
Ando bem ocupado, é verdade, mas isso não quer dizer que não tive tempo para um joguinho entre um embarque e outro.
Na verdade, joguei foi bastante.
Nos últimos meses, resolvi me dedicar a "pagar uma dívida" com meu amor por jRPGs: maratonar todos os Final Fantasy clássicos, do I ao V (já havia jogado o VI).
A ideia original era escrever uma resenha para cada jogo.
Porém, no meio da escrita do primeiro, por mais que eu tenha gostado, senti que o texto havia ficado muito curto.
Então, resolvi mudar a abordagem: jogar todos eles e fazer uma lista definitiva com meus pontos favoritos e discorrer um pouco sobre cada.
Após três meses de maratona, aqui está o resultado final e (talvez) minha opinião definitiva sobre os clássicos dessa franquia.
Antes de prosseguir, alguns esclarecimentos:
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Por serem as mais acessíveis por mim, joguei as versões de PSP do I e do II, o remake 3D do III e as de GBA do IV e do V.
Dessa forma, também pude ter um gostinho de cada design implementado nos relançamentos, além de uma experiência mais confortável.
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De uma maneira geral, eu gostei de todos os jogos.
Em nenhum momento, senti a vontade de abandonar um deles ou me forcei a jogar apenas para "cumprir tabela".
Por isso, se algum jogo ficar ranqueado mais abaixo, ou em último, não quer dizer que eu o destestei, mas que os outros simplesmente foram experiências melhores, e tá tudo bem.
Eu gostar mais de Donkey Kong Country 2 não implica em eu odiar Donkey Kong Country 1 ou 3.
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Alguns trechos possuem pequenos spoilers da história e de personagens.
Se isso for incômodo para você, deixe a leitura para depois de jogá-los!
Melhores Classes
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RED MAGE.
Seria um crime não mencioná-lo.
Uma personalidade inteira foi moldada na minha mente em torno dessa classe.
Estiloso e versátil, muito se fala que uma classe que tenta ser um pouco de tudo e não se especializa em nada é uma coisa ruim, mas ignoram seu principal trunfo: Doublecasting.
Conjurar múltiplas magias no mesmo turno é uma ótima maneira de manter o controle da luta.
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SUMMONNER.
Yu-Gi-Oh é uma das minhas franquias favoritas e sou ex-usuário de League of Legends (8 anos sóbrio e contando).
Portanto, posso dizer que tenho um pouquinho de "invocador" em mim.
Monstros com sprites bonitos e habilidades com consumo de mana mais alto, mas com entrega de poder excelente.
E o melhor de tudo: muitas delas ignoram o Reflect do inimigo, além de serem ótimas magias para limpar um campo cheio.
Ir atrás das invocações e desafiá-las para aí sim adquirir seus poderes pode ser considerado uma tarefa chata para alguns, mas que valeu todo o retorno para mim.
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DRAGOON.
Outra franquia que eu amo é Breath of Fire e, por isso, não posso deixar de dar uma dedicatória aos dragões.
Armadura bonita em formato de dragão e uma habilidade de salto que incorpora o mais puro espírito do "só se vive uma vez", entregando uma quantidade massiva de dano quando o inimigo (e às vezes você) menos espera.
Além disso, lanças são uma das minhas armas favoritas da era medieval.
Já falei que a armadura é bonita?
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MONK.
Só usa armas e antídoto quem não se garante no soco e na saúde física.
Desviar não é um problema se você possui vigor e resistência lá nas alturas.
Já dizia Sanosuke Sagara: "Em uma briga, não é o mais forte quem ganha. Quem não cai é quem ganha".
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NINJA.
Sou fã de ninjas? Talvez.
Mas definitivamente sou fã de atacar incessantemente com ambidestria e não precisar me preocupar com ataques inimigos porque a taxa de evasão é alta ou ele atingiu meu clone.
O Dream Team
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CECIL.
Personagem com uma história rica e um belíssimo arco de redenção para a época.
Com um coração honesto e consciente do caminho da luz e das trevas, a camisa de paladino e zagueiro do time não poderia ir para outro.
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ARC.
O garoto nerd e sem confiança que aprende a criar colhões.
Sua aptidão natural para magia e suporte está aí para mostrar que a força bruta não é a única manifestação de poder.
Se eu aguentei aquela masmorra extensa no final, foi porque ele manteve o time vivo com a vida cheia por toda jornada.
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TERRA.
Sofreu lavagem cerebral, descobriu que era uma "alien", passou por uma crise existencial e dedicou sua vida a cuidar de outras crianças que também estavam perdidas.
A história dela por si só é digna de livro motivacional, mas aí ela resolveu carregar o time nas costas conjurando Ultima com 1 de MP todo turno.
É um poder de fogo que não pode ser desperdiçado.
Convocada!
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GALUF.
É muito difícil encontrar protagonistas de jRPG com mais de 30 anos.
Com um público-alvo infanto-juvenil, muitos estão na faixa de 10 a 18 anos.
Inclusive, qualquer personagem com mais de 20 anos já recebe piadinhas por "ser velho demais", o que é irônico vir de um país com a maior expectativa de vida do mundo...
Mas, aqui não tem etarismo!
Galuf, com toda a sua experiência e alguns socos, abriu caminho para uma nova geração de Guerreiros da Luz e foi um personagem sólido.
Não o subestime.
Já dizia Rogerinho do Ingá: "Idoso é covarde."
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FARIS.
Princesa dada como morta em um naufrágio sobrevive e passa a integrar - e posteriormente liderar - um bando de piratas.
Mesmo depois de descobrir sua nobreza, ela não abriu mão dos seus colegas e retornou ao bando assim que a jornada se encerrou.
De confundindo e roubando itens dos inimigos a curar e replicar os golpes mais poderosos do time, ninguém fez melhor o papel de "coringa" do que ela.
A Playlist
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TEMA DE BATALHA - FINAL FANTASY I.
Não poderia deixar de fora o primeiro tema de batalha de um jogo que salvou uma companhia da falência.
É o cartão de visitas da franquia e uma amostra do monstro musical que Nobuo Uematsu se tornaria.
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TEMA DE CHEFE - FINAL FANTASY IV.
Essa música me dá "nostalgia reversa".
Ela foi reproduzida em um chefe secreto de Super Mario RPG, outro jogo desenvolvido pela Square, como um aceno para a franquia Final Fantasy.
Porém, por ironia do destino, eu joguei Super Mario RPG primeiro.
Então, ouvir de novo essa música em Final Fantasy IV me fez lembrar de Super Mario RPG, e não o contrário.
Além desse pedacinho de curiosidade, é um tema emblemático.
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TEMA DE MAPA - FINAL FANTASY VI.
Além de ser o tema da Terra, é uma melodia que traz a sensação de tranquilidade e mistério.
Uma boa mistura para começar uma jornada de autoconhecimento.
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TEMA DE MASMORRA - FINAL FANTASY III.
Disparada, a minha música favorita de todos os clássicos.
Melodia simples, poucos instrumentos, impacto extremo.
Se eu não morri de tédio naquela masmorra interminável do final, foi porque essa música me carregou.
Merece todo o amor do mundo.
Melhor Vilão
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KEFKA.
Personagem insuportável e arrogante.
O SFX da sua risada já me dava asco.
Porém, em uma virada de chave, o que era para ser um personagem alívio cômico se tornou uma ameaça real que remoldou a história e geografia do mundo.
Sua luta, que antes eram apenas protocolares, se tornou um segmento emblemático de combate envolvendo todos os herois.
Absolute cinema.
Melhor Cid
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FINAL FANTASY IV.
O primo poucas ideias do Robotnik aprontando em outro universo.
O mais carismático também.
Ter sido um personagem jogável também contribuiu para me apegar à ele.
Chorei com sua partida.
Vibrei com sua volta.
Melhor Romance
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LOCKE e CELES.
Acredito que só tivemos dois romances bem-desenvolvidos nos 6 primeiros jogos, mas eu vou destacar aquele que teve mais investimento.
Da cena da peça de teatro ao reencontro na segunda metade do jogo, você acompanha todo o desenvolvimento romântico dos dois, em vez de ser algo já pré-estabelecido antes da história começar.
Melhor Mapa
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FINAL FANTASY IV.
Entre muitas reviravoltas e cataclismas, nenhum jogo me fez viajar tanto quando o quarto.
Você começa na superfície, precisa ir ao subterrâneo e, no final das contas, vai parar na Lua.
Só faltou um mapa submarino.
Melhor Jogabilidade
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FINAL FANTASY V.
O quinto jogo da franquia era exatamente o que eu estava procurando.
Um sistema de classes que permite a customização de cada personagem e um leque diversificado de estratégias.
É certo que o sistema de classes chegou no terceiro, mas não com a mesma maleabilidade.
Podemos dizer que ele é o avô da franquia Bravely Default, que eu adoro.
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FINAL FANTASY II (menção honrosa).
Embora muito contestado pelos jogadores, achei ousado o sistema de "esforço" em combate e o do "palavras-chave" ao dialogar com NPCs.
Goste ou não, não tem como negar que muitos jogos também beberam dessa fonte e eram comuns na época.
Até porque RPG não é só combate, é dialogar com pessoas e puxar os assuntos certos para extrair as informações que precisa.
Melhor Design
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FINAL FANTASY I e II de PSP.
O charme do pixel-art com sprites maiores, mais nítidos e mais expressivos.
Por mim, todos os pixel-remasters deveriam ter seguido a mesma direção.
E o meu grande favorito foi... FINAL FANTASY V!
Foi uma escolha difícil.
Os outros jogos tinham muitos pontos fortes, especialmente o IV e o VI.
Por isso, decidi desempatar na jogabilidade.
O que me atraiu para a franquia como um todo foi justamente seu sistema de classes e a possibilidade de criar estratégias com cada combinação.
Então, nada mais justo que dar o "prêmio" a quem, além de ter entregado bons personagens, histórias e música, entregou a exata experiência que eu estava procurando desde que comecei esta maratona.
Vou ficando por aqui.
Talvez, eu jogue o VII, o VIII e o IX em um futuro próximo, mas vou me permitir explorar outras franquias nos próximos meses pois o mundo dos jRPGs é bem vasto.
Quem sabe essa jornada não gere mais um compilado?
Até a próxima! o/